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O que o coronavírus e a Coreia podem nos ensinar?

Atualizado: há 2 dias

Felipe Lange


Esse vírus nada mais é uma reencarnação do vírus da SARS (a espécie é a mesma, Severe acute respiratory syndrome-related coronavirus, mudando somente a fita), possuindo ácido ribonucleico como material genético. Corona sempre me lembrou o médio da Toyota que chegou aqui na época de abertura às importações.


As aulas presenciais felizmente foram suspensas e aproveito para lhes escrever mais este artigo. Biologismos à parte, vamos aos assuntos que realmente interessam.



O que pode ser ensinado pelos sul-coreanos?


Muitos têm mencionado o caso sul-coreano como exemplo de caso de sucesso em lidar com a pandemia. Além do fato de que os sul-coreanos naturalmente possuem diferenças em comportamento envolvendo toques, assim como uma tendência maior à pontualidade e disciplina (não precisa nem mencionar o ensino local pois o modelo de ensino é problemático e tem induzido inclusive a suicídios), os sul-coreanos são também...



1) Mais poupadores:


Ao passo de que a taxa de poupança brasileira chegou ao pico máximo de 14% no ano passado (em relação ao PIB), na Coreia do Sul chegou a 36,46% em seu melhor trimestre, também no ano anterior.


Os dados brasileiros estão aqui; os da Coreia aqui.


Comparação entre ambos os países. Ao passo de que na Coreia a taxa foi aumentando, caindo um pouco e se estabilizando, no Brasil ela caiu mais, embora também tenha se estabilizado.



Em questão de disposição para trabalhar, os brasileiros provavelmente são idênticos aos sul-coreanos (a disparidade ocorre em horas anuais, possivelmente por causa de Carnaval e feriados religiosos). O Haiti, muito mais pobre, certamente deve ter essa natural virtude. O trabalho, por si só, não necessariamente irá causar enriquecimento. Ele precisa ser acompanhado de: investimento e poupança.


Pobreza é condição natural da humanidade. Parece algo tosco mas, pegando por exemplo um jogo como o Age of Mythology, você começa com um certo número de recursos, em pequena quantidade. Por mais prazeroso que possa ser ao jogar isso, ele demonstra uma realidade da escassez: é ao longo do tempo que mais riqueza é criada, através do aumento da produtividade (quando você faz melhoramentos no jogo) e da poupança (quando poupa recursos como o ouro para construir fazendas com os egípcios na Idade Clássica).


Não existe enriquecimento sem poupança. É a poupança que permite que haja investimentos. Poupar não significa necessariamente aplicar o seu dinheiro na poupança: significa não consumir todos os recursos, deixar de consumir uma parte dele, ou seja, se abster. Com esses recursos poupados, investimentos são feitos em, por exemplo, os bens de capital. Os bens de capital são máquinas e equipamentos que aumentam a produtividade. A força muscular humana é finita, mas os desejos não. O seu objetivo é ser cada vez mais produtivo, produzindo cada vez mais e usando cada vez menos força muscular.


Se todos os recursos fossem consumidos, ainda estaríamos na Pré História. É por isso que, para uma sociedade enriquecer, ela precisa incentivar a poupança. Como? Dar cursos de finanças subsidiados para todo mundo, carimbados pelo MEC? Não: parar de punir quem poupa. Hoje o Brasil, com os juros reais negativos, uma moeda em constante desvalorização, impostos complexos e escorchantes e um ambiente hostil aos investimentos (se continuar desse jeito, logo seremos passados pelo Egito), não é surpresa alguma que a poupança seja baixa. Além disso, o próprio histórico pavoroso do orçamento do governo brasileiro já é uma punição aos investidores, já que é muito mais compensador emprestar para o governo do que para empreendedores. Calotes e hiperinflação marcados na história republicana brasileira pioram a encrenca. Outra principal culpada é a própria previdência brasileira que, além de servir como um esquema de pilhagem, gera uma distorção moral e econômica, ao terceirizar a responsabilidade de poupança para o governo (que vai te entregar, na melhor das hipóteses, depois de muita burocracia, uma migalha de aposentadoria, com uma moeda já corroída pela inflação).


Atenção: eu não tenho a solução ideal para cada família. Há famílias com renda baixa e que poupam muito (meu avô era assim), há famílias com renda média e que gastam tudo, há famílias com renda alta e que se atolam em dívidas. Isso é uma solução individual. A única coisa (e a única ética e economicamente sensata) é o estado tirar as suas barreiras aos poupadores. As pessoas só tenderão a ter mais responsabilidade individual quando pararem de ser moralmente pervertidas pelo estado.



2) Possuem uma moeda mais forte:


Ué, como assim, um real brasileiro compra mais de 200 wones sul-coreanos! Não se engane: a moeda forte é determinada pela sua capacidade de manter e/ou ganhar poder de compra ao longo das décadas. Além disso, ao passo que o real brasileiro nasceu há apenas 25 anos, o won sul-coreano nasceu originalmente em 1945. Ainda, o país sofreu inflações pornográficas durante a Guerra da Coreia, Guerra do Vietnã e colapso do acordo de Bretton Woods. Depois de 1980, que o negócio se estabilizou. É por isso que a moeda hoje usa várias casas decimais. O mesmo fenômeno acomete o Japão (que usa uma moeda ainda mais antiga, da época em que o Brasil ainda era Império). Embora o petismo tenha causado estragos respeitáveis no real, nem chegou perto da hiperinflação sul-coreana.


Abaixo serão mostrados dois gráficos que nos mostram fatos interessantes sobre a moeda local.


Taxa de câmbio entre won sul-coreano e dólar americano. Gráfico de 13/02/1981 a 13/03/2020.



Notem que a curva das taxas de câmbio era pouco acentuada até que, depois de 1995, ela se acentuou. Por qual motivo? Isso porque, em fevereiro de 1980, o arranjo cambial era câmbio atrelado. Ou seja, o câmbio flutuava, mas dentro de limites impostos pelo próprio Banco Central. O seu valor variava em função de uma cesta das principais moedas do mundo à época, de forma que ele pouco oscilava, com uma maior estabilidade cambial.


Taxa de câmbio entre won sul-coreano e dólar americano. Gráfico de 01/12/1997 a 13/03/2020.


Essa estabilidade cambial traz uma sensação deliciosa pois um câmbio estável torna os investimentos produtivos mais viabilizados. Por algum tempo, o arranjo funciona (e na Coreia ele durou quase 20 anos, ao passo que no Brasil mal durou 5 anos). A renda aumenta de maneira respeitável e a indústria se moderniza e fica mais competitiva (quem não se lembra de quando o Corsa chegou no mercado brasileiro?). Só que, como o Banco Central manipula o câmbio junto com a taxa de juros, isso uma hora entra em contradição e então surgem os ataques especulativos. O que são ataques especulativos? Segundo Leandro Roque:


"Ataques especulativos = ação feita por especuladores visando a provocar a desvalorização de uma moeda -- a qual está sendo artificialmente mantida valorizada pelo Banco Central -- para então poderem auferir ganhos com essa desvalorização. (George Soros ganhou bilhões apostando na desvalorização da libra esterlina em 1992, que estava artificialmente atrelada ao marco alemão). Só é possível em um arranjo de câmbio atrelado."



Agora olhe novamente o gráfico acima. Com essa encrenca dos ataques especulativos, dentro das trapalhadas da Crise Asiática, o Banco Central da Coreia então simplesmente deixou o câmbio flutuar, mais exatamente em dezembro de 1997 (segundo gráfico). O país foi socorrido pelo Fundo Monetário Internacional. Os outros países do Sudeste Asiático também ficaram envolvidos. Michel Camdessus, do FMI, chegou a sugerir que o Brasil, diante dos ataques especulativos, adotasse um Currency Board. Perguntem se o Pedro Malan, ministro do antigo Ministério da Fazenda, aceitou a sugestão. Certamente hoje estaríamos em uma situação muito melhor. Até o André Lara Resende, que hoje provavelmente ainda defende a maluca Teoria Monetária Moderna, apoiou a ideia.


Voltando ao won sul-coreano, isso explica essa bruta oscilação logo após o esquema feito. No entanto, embora as oscilações tenham aumentado, prestem atenção: no dia 19/03/2020, por volta de 19:49 horas, você comprava um dólar com 1257 wones. Isso é quase o mesmo (para ser mais preciso) que em fevereiro de 2016, junho de 2010, junho de 2009, outubro de 2008, março de 2003, dezembro de 2000 e novembro de 1998. Ou seja, enquanto aqui atingimos seguidas altas históricas, na Coreia o câmbio se mantém relativamente estável, sem chegar a afundar. Você imagina se hoje o real tivesse o mesmo valor que em... junho de 2009? Um dólar por aproximados dois reais?


A Bolívia é atualmente um dos países onde é adotado o câmbio atrelado (em relação ao dólar americano). Por ora, o arranjo está durando. Apesar de ter passado por distúrbios severos, algo que o Brasil sequer passou no ano anterior, o país cresceu mais e a inflação foi menor até do que no Chile. Se houvesse o arranjo flutuante, provavelmente já teria afundado há muito tempo. Vamos ver até quando isso dura. Mais detalhes sobre o arranjo cambial do câmbio atrelado podem ser vistos aqui.


Exceção nisso é Cingapura. Embora o arranjo cambial seja atrelado, o Banco Central local não controla os juros, nem base monetária. Ele só busca manter o câmbio (o dólar cingapuriano) estável em relação à uma cesta das principais moedas do mundo. Desde a Crise Asiática, não sofre mais ataques especulativos.


Como já cansei de dizer aqui: além de uma moeda forte propiciar um crescimento econômico sustentável ao longo do tempo, ela incentiva a poupança, pois ela mantém ou ganha poder de compra ao longo do tempo.



3) Dispõem de melhor infraestrutura:


Quanto melhor a infraestrutura, maior é a capacidade de lidar não apenas com pandemias, mas também com desastres naturais.


No Brasil, não apenas há rodovias funcionando como verdadeiras máquinas de matar (além de algumas serem chamarizes de bandidos), como também nem para caminhar direito ao redor da vizinhança você consegue. Fezes de cachorro, buracos, calombos... os cadeirantes precisam andar nas ruas (e contar com a sorte de não ser pego por um motorista irresponsável)... nem as rampas para acesso às calçadas com veículos prestam, geralmente o declive não termina no solo, terminando antes, de forma que tirar o seu carro da garagem vai provocar uma queda da suspensão traseira assim que chegar à rua, gerando desconforto e desgastando a suspensão (e você então gasta mais os freios e embreagem, já que precisa ter mais cautela). Isso quando você acaba não raspando o para-choque do carro. Quando não são ruins, as ruas e rodovias são infestadas pelas pragas que iludem uma parcela do eleitorado: as lombadas (muitas delas não cumprem as normas do Contran... será que nenhum juiz pode processar os responsáveis por isso?).


Além das rodovias, os aeroportos são verdadeiras obras ineficientes e caras, além das rodoviárias (falar esse último termo já dá arrepios). Quando não são plenamente estatizadas, são concedidas por monopólio à alguma empresa privada escolhida pelos burocratas e políticos.


Segundo o ranking mundial de competitividade de 2019 do Fórum Econômico Mundial, o Brasil está na 78 ª posição em qualidade de infraestrutura (de 141 países), perdendo para países como Egito, Indonésia, Índia, Malásia, México, Polônia e Romênia.


Enquanto isso, a Coreia está entre os dez países que melhor se desempenham na infraestrutura (atualmente o vencedor é Cingapura), ficando na 6 ª posição. Parte desse legado foi graças à abertura ao investimento estrangeiro feita no país após a Guerra da Coreia. Muitos que investiram na infraestrutura do país foram japoneses.



4) São mais abertos ao mundo exterior:


Importar no Brasil sempre foi algo oneroso. No governo do PT, entretanto, as coisas foram só piorando. A Receita Federal adquiriu poderes nunca vistos antes e as tarifas aumentaram para vários itens. A tributação é praticamente norte-coreana, com impostos que facilmente passam de 100% do preço do produto. Além da tributação alta e do câmbio cada vez mais desvalorizado, há uma lentidão extrema de encomendas que ficam paradas na alfândega e ainda com risco de furto. O país consegue ser mais fechado do que países como Portugal, Colômbia, Espanha, Itália e Grécia.


Na Coreia, as coisas mudam: se pega a tarifa média de importação medida pelo Banco Mundial, ao passo que o Brasil fica em 13,46% e a Argentina em 12,47%, a Coreia do Sul fica com menos da metade, 5,23%. Se utilizado o Heritage Foundation, as tarifas médias sul-coreanas ficam em 5%, enquanto as brasileiras permanecem em 8,26%.


Se analisada pelo índice de abertura comercial (denominado Open Markets Index, da Câmara Internacional de Comércio), cujo relatório é de 2017 (são analisados níveis de abertura ao investimento estrangeiro, política comercial, infraestrutura), a situação fica ainda mais medonha. Antes disso, vamos entender a divisão das categorias abaixo:


- Categoria 1: Mais aberto, excelente (pontuação 5 - 6, sendo que 6 é a pontuação máxima);

- Categoria 2: Abertura comercial acima da média (pontuação 4 - 4,99);

- Categoria 3: Abertura comercial na média (pontuação 3 - 3,99);

- Categoria 4: Abertura comercial abaixo da média (pontuação 2 - 2,99);

- Categoria 5: Muito fraco (pontuação 1 - 1,99);


Entendidas as categorias, então vamos aos dados. Enquanto a Coreia do Sul fica na média, com 3,7 pontos (os Estados Unidos, 3,6 pontos), o Brasil fica com 2,4 pontos, ou seja, abaixo da média. O país fica atrás de países como Argentina e Argélia (2,6 pontos), Quênia (2,7 pontos), Uganda (2,8 pontos) e Índia (2,9 pontos). Eis a tabela abaixo (diminuí o tamanho da imagem para evitar perda de qualidade):


Venezuela fica na última posição. Brasil dista apenas 0,4 ponto dela.



Para piorar a humilhação, segundo o mesmo relatório, o país é o mais fechado entre os países do G20 (as 20 maiores economias do mundo).


O problema é que, desde provavelmente os tempos coloniais, ninguém nesse país nunca teve coragem de enfrentar os setores que são beneficiados por esse protecionismo: indústrias, corporações e sindicatos desses setores que são ineficientes. Além disso, o próprio estado e os políticos acabam se beneficiando dessa simbiose. Outra encrenca é que o Brasil, por ser um país de dimensões continentais (e por que não, titânicas?), ao adotar políticas protecionistas, terá os efeitos maléficos dispersos, de forma que eles sejam menos "sentidos" por toda a população que ali reside. Em um país com fartura de terras agricultáveis e espaço, com ainda uma imensa área de mata que ainda pode ser ocupada e uma área montanhosa quase insignificante, você consegue mascarar os efeitos maléficos de medidas protecionistas como, por exemplo, abrir fábricas de carros (mesmo que sejam porcarias). Se o mesmo fosse feito na Coreia do Sul, um país minúsculo, é muito possível que haveria inanição aos milhões. Como Hans-Hermann Hoppe afirma em sua entrevista:


"Agora, a respeito de metas de transição para a liberdade, a resposta é a mesma para qualquer país, seja ele a Turquia ou Alemanha, a França ou a China, a Colômbia ou o Brasil.  A democracia não é a solução — como também não foi a solução para os países do antigo império soviético.  Tampouco a centralização — como ocorre na União Europeia — seria a resposta.


Ao contrário, a maior esperança para a liberdade vem justamente dos países pequenos: Mônaco, Andorra, Liechtenstein, e até mesmo Suíça, Hong Kong, Cingapura, Bermuda etc.  Quem preza a liberdade deveria torcer e fazer de tudo pelo surgimento de dezenas de milhares destas entidades pequenas e independentes.


[...]


Como será explicado a seguir, quanto menor o território, maior a pressão econômica para se aceitar o livre comércio.  E quanto menores as unidades políticas, maiores as chances de se adotar um padrão monetário baseado em alguma commodity, muito provavelmente o ouro.


Os apologistas de um estado forte e centralizado alegam que tal proliferação de unidades políticas independentes levaria à desintegração econômica e ao empobrecimento.  No entanto, não apenas a evidência empírica contradiz esta alegação — todos os pequenos países citados acima são mais ricos que seus vizinhos —, como também uma reflexão teórica mostra que tal alegação não passa de mais um mito estatista.


Governos pequenos possuem vários concorrentes geograficamente próximos.  Se um governo passar a tributar e a regulamentar mais do que seus concorrentes, a população emigrará, e o país sofrerá uma fuga de capital e mão-de-obra.  O governo ficará sem recursos e será forçado a revogar suas políticas confiscatórias.  Quanto menor o país, maior a pressão para que ele adote um genuíno livre comércio e maior será a oposição a medidas protecionistas.  Toda e qualquer interferência governamental sobre o comércio exterior leva a um empobrecimento relativo, tanto no país quanto no exterior.  Porém, quanto menor um território e seu mercado interno, mais dramático será esse efeito.  Se os EUA adotarem um protecionismo mais forte, o padrão de vida médio dos americanos cairá, mas ninguém passará fome.  Já se uma pequena cidade, como Mônaco, fizesse o mesmo, haveria uma quase que imediata inanição generalizada. "



Já foi tentado algo próximo, quando as tarifas foram reduzidas de 50% para 20% em setembro de 1994 para o setor automotivo. Ou seja, uma brutal redução de 60% nas tarifas. Os resultados logo apareceram:


"Aquele curto período de redução foi suficiente não apenas para atemorizar as montadoras nacionais, que repentinamente viram seus confortáveis lucros evaporaram, como também para trazer um impressionante revigoramento à frota nacional.  Os importados tornaram-se comuns principalmente nas ruas de São Paulo, onde desfilavam Rolls-Royces, Corvettes, BMWs, Mitsubishi Lancers, Audis, Alfa Romeos 164, Subarus e Mercedes-Benz C 180, coisa rara no Brasil da época.  No Rio de Janeiro, na Avenida das Américas, surgiram nada menos que 20 importadoras de carros se acotovelando para disputar clientes, algo até então inédito. "



Infelizmente, isso durou pouco tempo e logo no ano seguinte as carroças nacionais voltaram a ser premiadas, quando as tarifas foram de 20% para 70%, um aumento de 250%. Além dos carros de passeio, nem os carros-forte foram perdoados.


E até hoje estamos nessa situação. Se algo mudou, foi para pior. Os sul-coreanos podem usar os seus bons carros domésticos que inclusive são de marcas locais, além de existir importados como o Ford Explorer, que é importado dos Estados Unidos.




Mas o que o vírus em si pode nos ensinar?


Em resumo de tudo isso, independentemente da sua opinião sobre colocar milhões de pessoas em quarentena ou não (o que sinceramente já me encheu o saco; é mais economicamente racional jogar Kingdom Rush Frontiers do que ficar debatendo isso na rede) o surto do coronavírus no Brasil mostra, antes de tudo, a importância de termos uma sociedade poupadora, com moeda forte, mercado de trabalho flexível, transporte privado e coletivo desregulados, combustíveis baratos, infraestrutura de ponta (esse curto vídeo de um europeu dirigindo um Up nas ruas alemãs é um simples exemplo), sem controle na taxa de juros, sem assistencialismo estatal (mas com caridade privada ampliada) e ruas privadas.


Só para pegar alguns exemplos simples, se fôssemos genuinamente livres e ricos, o trabalhador mais pobre não precisaria se preocupar em ir trabalhar com um transporte coletivo monopolizado pelo estado (notem que o culpado, de novo, são os políticos e burocratas, que no momento estão todos isentos de culpa). Basta imaginar que ele poderia:

- Ir de carro particular e trabalhar normalmente; - Trabalhar em casa ou; - Negociar as faltas com o chefe;


O poder de barganha do trabalhador seria muito maior. Um trabalhador doente e insatisfeito gera prejuízos para empresas, pois a qualidade dos bens e serviços é deteriorada, o que atrapalha a lucratividade dos negócios. A capacidade inovadora para lidar com problemas aumentaria, já que eles teriam menos custos (e os brasileiros são extremamente criativos). O que explica hoje a infestação de péssimos patrões e funcionários (além de outros fatores) é, além da fuga dos melhores cérebros para a burocracia estatal (ou mesmo do país), são as próprias regulações trabalhistas, que artificialmente encarecem os custos de contratação, manutenção e demissão de empregados. Demitir seria algo custoso, pois perder bons funcionários ameaçaria a vida econômica da própria empresa. Esse vídeo explica com um detalhamento sem igual em Língua Portuguesa as consequências das regulações trabalhistas.

Quanto mais rica e produtiva for a sociedade, maior será a capacidade de lidar com esses tipos de problemas, não apenas de pandemias, mas mesmo de desastres naturais. Embora hoje estejamos nos deparando com mais e mais medonhas intervenções estatais, basta imaginar que, se ainda estivéssemos com a mesma produtividade, mesma renda e o mesmo capital da Idade Média, certamente hoje presenciaríamos uma verdadeira matança, aos dezenas de milhões (pior do que na Gripe Espanhola). Pense no que a humanidade sofreu com a Peste Negra.


O momento atual seria muito oportuno para o governo Bolsonaro buscar, ao máximo, por uma redução nos impostos, burocracias, taxas e controles. Além disso, trazer um ambiente amigável aos investidores estrangeiros, com respeito aos contratos e segurança jurídica. Buscar uma moeda forte e estável. Isso será principalmente necessário para a economia se recuperar dessa grande paralisia, que foi severamente acentuada pela pandemia.


Se isso será feito aqui? O Legislativo e o Judiciário irão colaborar? Só o tempo dirá.

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