• Felipe Lange

Cinco razões pela fraqueza da economia argentina

Atualizado: 9 de Dez de 2019

Daniel Lacalle

Artigo original publicado no dia 01/05/2018 no Mises Institute, podendo ser conferido aqui. Imagem original disponibilizada aqui.


[Nota do tradutor: Em caso de quaisquer falhas de tradução, favor nos contatar em nossa página no Facebook ou comentar abaixo. Ficaremos extremamente gratos.]



A Argentina vem "imprimindo dinheiro para o povo" no estilo TMM há muitos anos. Sua erroneamente denominada "política monetária inclusiva" do passado - imprimir dinheiro para financiar enormes gastos governamentais - levou o país à uma inflação e depressão maciças.


Esta é a principal razão pela qual um país com excelente educação, capital humano e alto potencial econômico possui taxas de inflação terceiromundistas.


A inflação argentina subiu para 54% na semana passada. Os spreads de títulos subiram para 854 Bps, o CDS (Credit Default Swap) de dois anos é de 1094 bps; e os de cinco anos em 948 Bps. Mas os governos do país culpam a inflação por qualquer coisa, exceto sua política monetária insana


A economia argentina é mais frágil e vulnerável que economias similares. No entanto, a Argentina também é um dos países com maior potencial econômico. Existem cinco fatores essenciais para entender a fraqueza da economia:


  • O Peso. Apesar das políticas dovish do Federal Reserve e da mudança de rumo no processo de normalização, o Peso é, novamente, a moeda com pior desempenho em relação ao dólar em 2019. O índice do dólar não se moveu muito em relação à sua cesta de moedas, portanto, é a política monetária desastrosa que fez o peso despencar. Uma moeda fraca é um perigo para a estabilidade do país e os governos sucessivos parecem querer consertar a política monetária equivocada do Banco Central. Um peso fraco não torna a economia argentina mais competitiva ou exporta mais, como mostra a realidade. Se o país não abordar de maneira séria e determinada o erro de manter uma moeda em um processo constante de destruição de seu poder de compra, ele simplesmente passará de crise para crise repetidamente.


  • A política monetária também é seriamente inflacionária. Não por engano, mas por design. Os governos preferem ver inflação alta e culpar um inimigo externo inexistente do que parar de financiar os inchados gastos públicos com a nova moeda impressa. A perda do poder de compra da moeda é adicionada à uma taxa de inflação que não deve corresponder a um país com o capital humano e potencial da Argentina. A Argentina é, há muitos anos, um país com o potencial de uma economia desenvolvida e uma política monetária de um país do terceiro mundo. Ele seguiu as recomendações da TMM por anos. Muitos afirmam que a dolarização seria pior porque já foi tentada e levou a uma crise, exceto que esse argumento é falso. A Argentina não dolarizou, realizou um subterfúgio de taxa de câmbio atrelando o peso ao dólar americano com uma taxa de câmbio completamente inflada que levou ao acúmulo de desequilíbrios. A Argentina não tinha dólares, tinha pesos disfarçados. A dolarização foi o que o Equador fez, abandonando o sucre, o que permitiu ao país evitar uma hiperinflação no estilo venezuelano.


  • Impostos muito altos. A carga tributária da Argentina continua sendo a mais alta da região e uma das mais altas para empresas do mundo. Essa constante expropriação da riqueza por meio da desvalorização da moeda, inflação e impostos funciona como uma enorme barreira ao investimento internacional, crescimento e criação de empregos. Na Argentina, sempre se ouve que "as receitas fiscais são baixas" e que, portanto, os impostos não podem ser cortados. No entanto, aumentá-los coloca um limite na criação de empregos, investimento produtivo e atração de capital, e as receitas são ainda menores.


  • Gastos altos do governo. Negar o efeito depressivo dos gastos políticos extrativistas, dentro de um gasto público que já atinge mais de 45% do PIB, é um problema para um país com alto potencial. Não é apenas o gasto público mais alto da região, mas o mais ineficiente de acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento. A ineficiência dos gastos públicos na Argentina atinge 7,2% do PIB.


  • As brechas do protecionismo. De acordo com o índice de competitividade global do Fórum Econômico Mundial, a Argentina está em 92 dos 137 países.¹ A tendência de deterioração gerada entre 2012 e 2015 foi reduzida por três anos, mas os desafios são importantes. Uma delas é eliminar as brechas das medidas anti-comércio e protecionistas impostas à percepção míope de que o protecionismo substituiria as importações e fortaleceria a economia, enquanto a impressão de dinheiro estimularia o crescimento. Ainda existem recuos significativos desse período que desestimulam o crescimento e, acima de tudo, alertam os investidores globais que preferem evitar investimentos de longo prazo e intensivos em capital na Argentina.


É verdade que algumas medidas foram tomadas para reverter esses elementos de fragilidade, mas as reformas devem ser mais corajosas para impedir que a economia caia ainda mais em 2019 e 2020.


Não é fácil mudar políticas erradas "neo-keynesianas" da era Kirchner sem reconhecer o enorme buraco monetário e fiscal criado pelo governo anterior, mas se as reformas não forem decisivas e claras, a economia argentina continuará sendo frágil e mais vulnerável a ciclos econômicos do que as economias semelhantes. A Argentina é um ótimo país com terríveis políticas monetárias e fiscais. Com esse potencial de crescimento e emprego, vale a pena ser corajoso e pôr um fim aos remanescentes de políticas erradas do passado.


Notas adicionais do editor/tradutor:


¹ No relatório desse ano, Argentina está pior do que países como Brasil, Grécia e Cazaquistão.

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