No Ano Novo, ouviremos ainda mais notícias catastróficas sobre o meio ambiente, porque a indústria do apocalipse nunca descansa
- Felipe Lange
- há 2 dias
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William L. Anderson

[Nota do editor/tradutor: Agora a palavra da vez é "crise climática" (e também "justiça climática"), palavra que tem sido usada por gente chique e refinada ao redor do mundo, assim como pelos políticos de sempre, não obstante a morte por desastres naturais estar em baixa histórica (detalhe que a população mundial explodiu nesse período, então em termos relativos, fica ainda menor a taxa de mortes). A Grande Seca da década de 1870 matou entre 400.000 e 500.000 pessoas no Brasil, ao passo que a Enchente do Rio Amarelo de 1887 matou pelo menos 930.000 pessoas. Esses países, que eram sociedades bem menos industrializadas e desenvolvidas do que hoje, estariam tendo também uma "crise climática"? Enquanto isso, os políticos e seus planejamentos urbanos desastrados ficam sem responsabilidade alguma.]
"Você precisa comprar este livro", disse meu professor de química do ensino médio. O livro era The Population Bomb, de Paul Ehrlich, e previa a ruína da Terra e de suas populações. "A batalha para alimentar a humanidade acabou", declarava o livro, e a fome em massa era inevitável e iminente.
Comprei o livro, mas confesso que só o li anos depois — muito tempo depois de os cenários apocalípticos não terem se concretizado. Mas durante o ano letivo de 1969-70, quando eu estava no penúltimo ano do ensino médio, a Indústria do Apocalipse estava viva e bem, enquanto “celebrávamos” o primeiro Dia da Terra em 22 de abril de 1970, com as seguintes previsões:
O biólogo de Harvard, George Wald, estimou que "a civilização terminará dentro de 15 ou 30 anos [até 1985 ou 2000], a menos que medidas imediatas sejam tomadas contra os problemas que a humanidade enfrenta".
"Estamos em uma crise ambiental que ameaça a sobrevivência desta nação e do mundo como um lugar adequado para a habitação humana", escreveu o biólogo da Universidade de Washington, Barry Commoner, na edição do Dia da Terra da revista acadêmica Environment.
"A população inevitavelmente superará completamente qualquer pequeno aumento na oferta de alimentos que fizermos", declarou Paul Ehrlich com confiança na edição de abril de 1970 da revista Mademoiselle. "A taxa de mortalidade aumentará até que pelo menos 100 a 200 milhões de pessoas por ano morram de fome durante os próximos dez anos [até 1980]."
"A maioria das pessoas que morrerão no maior cataclismo da história da humanidade já nasceu", escreveu Paul Ehrlich em um ensaio de 1969 intitulado "Eco-Catástrofe!". "Até… [1975], alguns especialistas acreditam que a escassez de alimentos terá elevado o nível atual de fome e inanição no mundo a fomes de proporções inacreditáveis. Outros especialistas, mais otimistas, pensam que a colisão final entre alimentos e população não ocorrerá até a década de 1980."
Ehrlich esboçou seu cenário mais alarmista para a edição do Dia da Terra de 1970 da revista The Progressive, garantindo aos leitores que, entre 1980 e 1989, cerca de 4 bilhões de pessoas, incluindo 65 milhões de americanos, pereceriam na "Grande Extinção". O ecologista Kenneth Watt disse à revista Time que, "Na taxa atual de acúmulo de nitrogênio, é apenas uma questão de tempo até que a luz seja filtrada da atmosfera e nenhuma de nossas terras seja utilizável."
Paul Ehrlich concordou, prevendo em 1970 que "a poluição do ar... certamente ceifará centenas de milhares de vidas apenas nos próximos anos". Ehrlich descreveu um cenário em que 200.000 americanos morreriam em 1973 durante "desastres de poluição atmosférica" em Nova York e Los Angeles.
O senador Gaylord Nelson escreveu na revista Look: "O Dr. S. Dillon Ripley, secretário do Instituto Smithsonian, acredita que em 25 anos, entre 75 e 80 % de todas as espécies de animais vivos estarão extintas."
Kenneth Watt alertou sobre uma iminente Era do Gelo em um discurso. "O mundo tem esfriado drasticamente há cerca de vinte anos", declarou. "Se as tendências atuais continuarem, a temperatura média global será cerca de quatro graus mais baixa em 1990, mas onze graus mais baixa no ano 2000. Isso é cerca do dobro do que seria necessário para nos levar a uma Era do Gelo."
Quando eu estava na faculdade, os dois livros apocalípticos mais conhecidos eram The Limits to Growth, publicado pelo Clube de Roma, e An Inquiry into the Human Prospect, de Robert Heilbroner, um livro obrigatório em uma das minhas aulas de religião. Basta dizer que nenhum dos cenários apresentados nas declarações ou nos dois livros se concretizou. Infelizmente, esses falsos profetas nunca tiveram que pagar por suas previsões absurdas com a perda de reputação. Na verdade, Ehrlich ainda é procurado pela mídia tradicional como especialista em — pasmem — "superpopulação".
A Brigada do Apocalipse parte para outras "crises"
É claro que a superpopulação ou a "escassez de recursos" não são as únicas falsas crises criadas pelos arautos do apocalipse. Na década de 1980, nossas florestas, lagos e rios supostamente seriam destruídos pela "chuva ácida" [nota do editor/tradutor: certa vez medi o pH da chuva de Mococa e deu 7,0], enquanto o início da década de 1990 trouxe o buraco na camada de ozônio. A "ameaça" da chuva ácida supostamente terminou com a aprovação das Emendas ao Ato do Ar Limpo em 1990, enquanto o Protocolo de Montreal de 1990 e 1992 supostamente resolveu os problemas da camada de ozônio.
Desde então, é claro, a mais recente e apocalíptica "ameaça" tem sido o aquecimento global, que mais tarde foi renomeado para mudanças climáticas, com a principal voz sendo a do ex-vice-presidente Al Gore, cujas finanças se beneficiaram enormemente com seu ativismo. Não surpreendentemente, Gore fez uma série de previsões catastróficas, nenhuma das quais se concretizou. Em seu documentário de 2005, Gore declarou:
As calotas de neve do Monte Kilimanjaro desapareceriam até 2016.
Após o furacão Katrina em 2005, os furacões no futuro se tornariam maiores e mais poderosos. (Pelo contrário, os furacões não aumentaram em intensidade ou número.)
Afirmou, de forma vaga, que o nível do mar subiria até 6 metros neste século devido ao derretimento do gelo. (Os mares estão subindo, mas no mesmo ritmo que subiram no século passado.)
Em 2007, um juiz britânico decidiu que o documentário de Al Gore continha nove erros, fazendo afirmações que não eram respaldadas pela ciência atual:
"O juiz afirmou que, por exemplo, o roteiro de Gore implica que a Groenlândia ou a Antártida Ocidental podem derreter em breve, causando uma elevação do nível do mar de até 6 metros, o que causaria devastação de São Francisco aos Países Baixos e a Bangladesh. O juiz classificou isso como 'claramente alarmista' e disse que o consenso é que, se a Groenlândia derretesse, liberaria essa quantidade de água, 'mas somente depois de milênios'. Burton também disse que Gore afirma que os habitantes de atóis baixos do Pacífico evacuaram para a Nova Zelândia devido ao aquecimento global, 'mas não há nenhuma evidência de tal evacuação'."
Mas o que seria de um Ano Novo sem previsões ainda mais sombrias? Desta vez, temos o professor da UCLA, Glen MacDonald, prevendo que 2026 será finalmente o ano em que ultrapassaremos o "ponto de inflexão" climático:
"Ele (MacDonald) teme que 2026 possa ser o ano em que as temperaturas globais atinjam um ponto crítico conhecido como aumento de 1,5 °C. 'Não sei se já chegamos lá', diz ele, 'mas estamos muito perto, e 2026 provavelmente será mais quente do que o ano passado.'"
Então, por que os chamados especialistas não reconheceram que os ambientalistas vêm alarmando a população há mais de 60 anos, começando com o livro Silent Spring de Rachel Carson, publicado em 1962? Parte da razão é que os americanos foram doutrinados por anos com a ideia de que o capitalismo é destrutivo e prejudicial ao meio ambiente, apesar de muitas evidências em contrário. O outro lado desse argumento é que o socialismo protege o meio ambiente, embora o histórico real do socialismo revele um desastre ambiental após o outro.
Quando o Ano Novo de 2026 começou, o New York Times publicou uma matéria sobre os incêndios e inundações que atingiram Los Angeles em 2025, ligando-os (é claro) às mudanças climáticas. No entanto, o artigo também destacou que incêndios florestais e inundações devastadoras não são novidade em Los Angeles, como o artigo apontou:
"Los Angeles sempre esteve sujeita a extremos climáticos perturbadores. Em fevereiro de 1938, fortes chuvas inundaram o rio Los Angeles e mataram 87 pessoas. No Dia de Ação de Graças daquele mesmo ano, as condições de seca alimentaram um incêndio no Cânion Topanga que destruiu 350 edifícios. Em um ensaio publicado pela primeira vez em 1965, Joan Didion escreveu: 'Os moradores da Costa Leste costumam reclamar que não há ‘clima’ algum no sul da Califórnia, que os dias e as estações passam implacavelmente, de forma entorpecedora e monótona. Isso é bastante enganoso. Na verdade, o clima é caracterizado por extremos infrequentes, porém violentos.'"
Mas, atualmente, tanto o meio acadêmico quanto o jornalismo moderno se dedicam a gerenciar as narrativas, e especialmente a narrativa de que o capitalismo é responsável pelas mudanças climáticas e que os extremos climáticos violentos são algo novo. Nada — e especialmente a verdade — é permitido para desafiar essas visões de mundo. Ludwig von Mises, em The Anti-Capitalist Mentality, compreendeu que, embora o sistema capitalista tenha aumentado enormemente a riqueza da maioria dos indivíduos em nossa economia, isso não significa que as pessoas sempre valorizarão o que têm:
"Sob o capitalismo, o homem comum desfruta de comodidades que, em épocas passadas, eram desconhecidas e, portanto, inacessíveis até mesmo para as pessoas mais ricas. Mas, é claro, esses carros, televisores e geladeiras não fazem um homem feliz. No instante em que os adquire, ele pode se sentir mais feliz do que antes. Mas assim que alguns de seus desejos são satisfeitos, novos desejos surgem. Essa é a natureza humana."
Ele também apontou que intelectuais europeus e americanos têm odiado o capitalismo quase desde o início da era industrial moderna e consideravam as fábricas particularmente prejudiciais à ordem social que prezavam, além de serem responsáveis pela poluição do ar e da água. (Lembramos-nos do verso de "Jerusalem", de William Blake, escrito em 1810):
"E Jerusalém foi construída aqui, Entre essas sombrias fábricas satânicas?"
Nos tempos modernos, a esquerda americana — incluindo aqueles no meio acadêmico e no jornalismo — direcionou seu ódio para o automóvel. Murray Rothbard escreveu em 1974:
"Está se tornando cada vez mais evidente para mim que não estamos diante de uma mera aversão ao rococó, ou de um desejo de economizar energia, mas sim de um ódio profundo e até patológico por tudo o que o automóvel representa. Talvez possamos entender a motivação com mais clareza se considerarmos o que a esquerda deseja colocar no lugar do automóvel desprezado: em resumo, bicicletas (como as que eram usadas nos bons e velhos tempos da Europa pré-abundância) e transporte público. Transporte público? Quer dizer que eles querem mais dos metrôs imundos de Nova York, onde as pessoas são amontoadas como gado? Sim, acho que é exatamente esse o tipo de sistema de transporte que a esquerda quer impor aos Estados Unidos e ao mundo."
Hoje, esse ódio é direcionado aos automóveis movidos a gasolina/diesel, enquanto dirigir um carro elétrico se tornou o símbolo de todas as virtudes. (Isso até Elon Musk ter sua breve aparição como defensor da redução de custos governamentais, o que levou os esquerdistas a vandalizarem Teslas, mesmo que a maioria dos proprietários de Tesla fossem democratas).
A noção de que os carros elétricos um dia "salvariam o planeta" sempre foi fantasiosa, e com a "massa inculta" ainda preferindo suas Ford F-150 a gasolina à versão elétrica, fazendo com que a Ford Motor Company perdesse a impensável quantia de US$ 20 bilhões no processo de tentativa de transição para a produção de veículos elétricos. Ao politizar o automóvel e associá-lo a supostos desastres climáticos, as elites políticas, intelectuais e da mídia americanas demonstraram seu desprezo por como o capitalismo tornou a vida moderna possível.
O bilionário culpado
Um dos desenvolvimentos da nossa era atual tem sido a presença do bilionário ambientalista que busca limitar as escolhas das pessoas comuns em nome de "salvar o planeta". Já nos acostumamos com pessoas como Bill Gates defendendo a "despopulação" em lugares como a África e a Ásia.
No passado, eram as fundações criadas por industriais ricos que estavam na vanguarda da Indústria do Apocalipse, mas hoje, os próprios bilionários (como Gates) têm gasto grande parte de seu próprio dinheiro para promover a visão de desastre ambiental e como medidas socialistas podem deter a inevitável marcha para o esquecimento. Um dos maiores culpados tem sido Tom Steyer, da Califórnia, que usou seu dinheiro para convencer os eleitores do estado a se prenderem, juntamente com sua economia, a políticas que contribuíram para tornar a Califórnia inacessível.
A grande ironia é que Steyer agora está concorrendo ao cargo de governador nas primárias do Partido Democrata com uma plataforma que visa... tornar a Califórnia "acessível". (Em seus onipresentes anúncios políticos, ele afirma que, ao dividir a Pacific Gas & Electric e outras empresas de serviços de utilidade pública e de energia em empresas menores, os preços da eletricidade serão drasticamente reduzidos, em até 25 %. Qualquer economista competente consegue perceber a falácia dessa afirmação).
Na verdade, assim como os titãs da indústria que os precederam, muitos dos bilionários de hoje enriqueceram criando bens e serviços que melhoraram a vida da maioria das pessoas — inclusive tornando as coisas mais "acessíveis". Infelizmente, assim como os titãs da indústria que os precederam, esses bilionários — agindo em parte por culpa por terem enriquecido — uniram forças com o governo para impulsionar políticas prejudiciais favorecidas pelas elites políticas, intelectuais e da mídia, tudo isso acompanhado pelo canto da sereia da catástrofe ambiental.
Conclusão
O mantra de "salvar o planeta" das elites americanas não vai acabar só porque as previsões alarmistas e apocalípticas que fizeram publicamente não se concretizaram. Como vimos repetidas vezes, quando as previsões catastróficas, como a superpopulação ou a destruição causada pela chuva ácida, não se confirmam, as elites simplesmente passam para outro assunto.
(A vantagem da "mudança climática" como tema apocalíptico é que os ambientalistas podem incluir praticamente tudo nela. Como vimos recentemente, o aumento dos data centers de inteligência artificial agora é o alvo das elites apocalípticas, pois supostamente representam "desastres ambientais" no horizonte.)
Como mencionado anteriormente, a "mudança climática" tem sido o desastre escolhido que impulsionou a implementação de políticas desastrosas que tornaram a vida mais difícil para as pessoas em todo o mundo. Mesmo com o próprio Bill Gates tendo recentemente recuado da afirmação de que a mudança climática destruirá o planeta, ainda podemos esperar que as vozes mais estridentes exijam medidas ainda mais drásticas e contraproducentes que não afetarão o clima, mas tornarão as pessoas mais pobres.
As elites americanas há muito tempo se associaram à indústria do desastre ambiental, e poucos estão dispostos a abandonar essa causa agora. De "Primavera Silenciosa" ao primeiro Dia da Terra, passando pelas mais recentes proclamações de que "nosso planeta está ficando mais quente", teremos que lidar com as previsões anuais de Ano Novo de que "este ano" é o ano de "fazer alguma coisa". Por enquanto, o resto de nós precisa apenas conviver com isso e torcer para que as elites não destruam tudo o que há de bom e decente na vida moderna e não levem consigo o que resta de nossas liberdades.
Imagem de capa: Trecho do Córrego Lambari com poluição pesada, em Mococa, São Paulo. Foto por Felipe Lange.
Artigo originalmente publicado no dia 31/12/2025, no Mises Institute.
Tradução, edição e adaptação por Felipe Lange.




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